O homem anda como se fosse uma criança, engatinhando. Ele nunca havia estado ali e não havia presenciado uma materialidade sequer. Não sabendo o que se está passando, ele apenas anda e procura peculiaridades no branco infinito. Encontra então um urso de pelúcia, que desmancha em suas mãos assim que o aperta.
O homem não sorri e não chora, mas consegue sucumbir com o fenômeno. Ele está aprendendo a sentir ainda. Muito blocos ele vê ao fundo do horizonte, e entorta sutilmente sua cabeça como um animal curioso. Ja de pé, e com uma respiração um pouco tensa, anda em direção aos blocos invisíveis.
Ao entrar no emaranhado de colunas e vigas brancas de ferro, ele sente alguma presença, alguma sensação que também nunca havia sentido antes - a vertigem, meus caros, o afeta de um modo insano.
Assim o homem aprende a correr, em busca de sua pressuposta sobrevivência. Ele vê alguns corpos semelhantes ao dele no chão, mas tudo o que pensa é que deve correr e deixar todo este cataclisma infinito para trás.
Então algo começa a bipar. Bip Bip Bip. O homem estava bipando. Assustado, ele observa que o estranho barulho eletrônico vinha de seu braço, especificadamente em seu punho. e como tudo era novo para ele, não se assustou ao ver que haviam dois Leds piscando em vermelho. Ao pressionar os leds, o punho se abriu, não jorrando um grotesco sangue, mas sim duas baterias que caem ao chão.
O homem então sucumbe novamente, ao perceber que seu coração nunca bombeou uma gota de sangue sequer para seus órgãos que não possuía.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
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